sexta-feira, 9 de junho de 2017

Para o anedotário da gestão do centro histórico do Porto

Rua da Reboleira, Porto (foto de Francisco Queiroz, 2016)



O mobiliário urbano, atendendo à sua concepção, aos locais onde é colocado, e a outros factores, nem sempre serve os propósitos iniciais. Por vezes, torna-se redundante, inútil, ou mesmo um estorvo. Se pensarmos que, em geral, o mobiliário urbano não é concebido para colocação em zonas antigas das cidades e, muito menos, para posicionamento em vias sensíveis, de perfil medieval e com edifícios que ainda testemunham essa longínqua época, então os resultados podem ser mesmo aberrantes.
No dia em que vi isto na Rua da Reboleira, no Porto, rua essa em que raramente passam automóveis, e, quando passam, devido às características da rua, não raro têm de parar a meio e percorrê-la quase à mesma velocidade dos peões - fiquei atónito. O fluorescente, para se ver ao longe, como se de uma longa recta de via rápida se tratasse, embora aqui numa curva de rua...; os três dígitos, como que a prever que algum veículo, nesta rua, possa vir a ultrapassar os 99km por hora; o encosto a uma das pouquíssimas casas-torre de tipologia medieval que subsistiram no Porto, reclamando protagonismo para a questão da velocidade numa rua que, há muitos anos, é essencialmente pedonal...
Este exemplo é a anedota do que não se deve fazer nunca. E se me disserem que as intenções até foram boas, respondo já que haveria muitas outras formas possíveis de dissuadir a velocidade; esta forma é, seguramente, imprópria para aquele local. Aliás, e não havendo outra maneira de chegar a este ponto da rua com um veículo automóvel sem ser pela sua entrada, a colocar-se sinalização de velocidade seria precisamente à entrada da rua, e não aqui. Mas se nos lembrarmos que a entrada da rua é também um espaço essencialmente pedonal, então este caso assume contornos ainda mais bizarros.

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